quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Enxaqueca

Eu já estava em outra, ou melhor, eu não estava em nenhuma.
Estava só aproveitando da minha própria companhia, as vezes relembrando alguns fantasmas do passado.
Mas isso é perfeitamente normal, nessas noites de verão absurdo.
E aí te reencontro, você me adiciona no msn, teu histórico já é o maior dos meus contatos.
Você me liga, vem em casa, puxa assunto, ri.
Eu rio junto, na defensiva, quero que pare de me atacar, mas ao mesmo tempo quero que o ataque real comece logo.
Eu me rendo, te ataco também, você defende.
E aí a verdade atinge minha cabeça, deixando uma enxaqueca que vai tirar minha paz por uns tempos.
Entendi tudo errado. De novo.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

"Não, meu bem, não adianta bancar o distante lá vem o amor nos dilacerar de novo..."

No século XX não se ama. Ninguém quer ninguém. Amar é out, é babaca, é careta. Embora persistam essas estranhas fronteiras entre paixão e loucura, entre paixão e suicídio. Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira:compreendo sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe, berrando de pavor para o mundo insano,e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó. O que ou quem cruzo entre esses dois portos gelados da solidão é mera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo. E exigimos o terno do perecível, loucos.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Se encontrar sempre é se perder

Você pode até achar que a espera é longa, daquilo que todos nós esperamos, incansáveis. Ou nem tanto assim, de tempos em tempos nos cansamos e desistimos, achamos mais fácil e melhor estarmos assim, na nossa própria companhia.
E lá estamos, pedaços perdidos vagando nessa esfera cheia de outros pedacinhos, todos com diferenças banais de tamanho, se vistos por essa perspectiva. Somos todos do mesmo tamanho, pedaços que as vezes se encontram, formando por um momento alguma forma que faça um pouco mais de sentido para ambas as partes, até não fazer mais.
Vivendo esse quebra-cabeça eterno, várias peças se perdem sozinhas, várias se juntam para se perder.
Todas perdidas num mesmo contêiner, e ainda assim tão diferentes.

Tropicália

É verão no nosso país tropical,
e as chuvas de janeiro começam, incessáveis.
 Levando tudo morro abaixo,
leva vida e leva gente.
Todos espantados com o notíciario,
como senão chovesse todo janeiro, incessávelmente.
Mas a gente ri do prevísivel,
a gente sabe que vai dar errado,
mas enquantoestamos bem,
apenas continuamos pelo caminho mais comodo.
O final é sempre drástico,
com ou sem gente, a chuva sempre continua.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Roleta Russa

Não poderia ter sido amizade, nós somos diferentes demais para isso
então foi amor, esse carrasco.
Ele, que guilhotina a cabeça de tantos mundo afora.
O maior serial killer desse mundo,
e ainda assim o maior benfeitor.
Quantos sentimentos são engatilhados pelo amor.

Se ele fosse mesmo uma arma,
minha única munição agora seria a saudade.
Mas talvez ainda existam,
uma ou duas balas de esperança
perdidas no cartucho.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Na eternidade dos segundos

Nosso tempo foi curto, se comparado a imensidão dos segundos que hoje eu gasto pensando no que passou e no que poderia estar se passando entre nós.
Quando eu comecei a me mostrar, o nosso tempo já estava com minutos contados.
E nem desses últimos minutos eu pude aproveitar, se quer saber.
O fim veio sem aviso, sem oportunidade de despedidas.
Penso se não foi melhor assim, afinal, eu nunca sabia o que te falar mesmo,
não quando estava olhando nos seus olhos. Não conseguiria me despedir de ti.
Todo aquele roteiro que eu havia escrito a semana toda,
os ensaios, sobre tudo o que eu queria dizer e fazer contigo, tudo isso sumia.
E de repente lá estavamos os dois, mudos, um ao lado do outro. E felizes.
Um par, irrealizavel, incompativel, impossível.
Mas todos esses I's, eles não se aplicam ao amor, não quando se tem coragem pra se entregar.
Bem, você não teve.
E depois de seis meses, eu sei que não passou, não mudou e não diminui o que começamos a sentir naquele primeiro de agosto.
Tento ser otimista, sempre pensei que essas coisas passam, não gosto de fazer muito estardalhaço em torno de relacionamentos, mesmo cético que sou, acredito que no amor, o que tiver de ser será.
Mas agora me questiono se isso um dia passará mesmo, ou se serei um daqueles velhinhos que se sentam e contam sobre o amor que teve, e como fora feliz ao lado dele, contando os dias para juntar-se a ele de novo, mesmo que póstumamente.
E se alguém juntar-te a ti antes de partimos?
A mim muitas outras pessoas também poderão se juntar, mas na eternidade não há outra companhia que eu desejarei senão a tua.

Sozinho

Estava sozinho, era verdade, mas ainda assim não estava vazio.
Pelo menos a saudade o preenchia nos dias que se sucediam.